Edição 07 - Maio de 2019

No início desse mês, a Alesco participou do XII Simpósio Sul de Imunologia nas dependências da 
Pousada Astral da Ilha, na Ilha do Mel, Paraná.
Na qualidade de patrocinadora, a empresa aproveita essa oportunidade para parabenizar a
comissão organizadora pela condução do evento que foi de excelente qualidade. 
Agradecemos também a todos que puderam assistir a palestra da Raquel Hoffmann Panatieri sobre 
“VACINAS EM MALÁRIA: AVANÇOS E PERSPECTIVAS”. 
Para aqueles que não puderam participar do evento, mas se interessaram pelo tema, segue abaixo 
um breve resumo da palestra.

VACINAS EM MALÁRIA: AVANÇOS E PERSPECTIVAS
A malária é uma doença infecciosa causada pelo protozoário do gênero Plasmodium. Dentre as
mais de cem espécies existentes desse parasito são quatro as mais importantes e estudadas do 
ponto de vista de saúde pública, pois tem o ser humano como hospedeiro definitivo: P. vivax,
P. falciparum, P. ovale e P. malarie.
Os sinais e sintomas decorrentes da infecção podem ser facilmente confundidos com os de outras
doenças mais comuns: febre súbita, calafrios, dores de cabeça, dores no corpo, náuseas, êmese,
fadiga, fraqueza, e em casos mais graves, icterícia e hemorragia. O agravamento desses sintomas
pode ocasionar sequelas clínicas importantes, no desenvolvimento cognitivo, de audição, visão e
fala especialmente em crianças. A maior parte desses sintomas ocorre durante a fase eritrocítica
do desenvolvimento parasitário no hospedeiro vertebrado.
Nesse momento o parasito se multiplica dentro das hemácias que se rompem liberando novos
parasitos na corrente sanguínea e, rapidamente, irão infectar outros eritrócitos. O ciclo reprodutivo
continua com a fase sexuada que ocorre dentro do hospedeiro invertebrado, o mosquito anophelino.
No momento da picada em que o mosquito ingurgita sangue de uma pessoa infectada, parasitos
modificados em gametócitos são ingeridos iniciando uma nova fase do ciclo cujos descendentes
irão infectar outras pessoas no momento da picada do mosquito para se alimentar.

De acordo com a OMS, no último World Malária Report publicado em 2018, foram mais de 215 milhões de casos no mundo todo, ocasionando cerca de 430 mil mortes. De forma surpreendente em comparação com o ano de 2010 foi possível observar uma diminuição de 20 milhões de casos e de, aproximadamente, 150 mil mortes. Na última década vemos que houve uma queda significativa tanto no número de casos quanto de óbitos ocasionados pela infecção, especialmente entre os anos de 2010 e 2015. A partir de então essa redução tem acontecido de forma menos significativa, sem que as autoridades competentes consigam identificar a razão para tal. 

A infecção por esse parasito permanece restrita a regiões tropicais e subtropicais do planeta (Figura 1), devido, principalmente a existência de um ambiente com calor e umidade propícios ao desenvolvimento do mosquito transmissor. Mas sem dúvida as pessoas que habitam o continente africano são as que mais sofrem as consequências dessa doença. A África detém 92% de todas as infecções registradas no mundo, sendo a Nigéria, a República Democrática do Congo, Moçambique e Uganda os países com os maiores índices de infecção. Por exemplo, na Nigéria são contabilizados ¼ de todos os casos africanos por malária, e a maioria são crianças menores de 5 anos, que somam 61% das mortes confirmadas. As principais formas de controle das infecções em nível de transmissão pelo mosquito incluem a utilização de mosquiteiros, repelentes e inseticidas. 


O problema é que ano após ano linhagens de mosquitos são selecionadas naturalmente pela capacidade de resistir aos venenos utilizados, por exemplo. Mapeamento de regiões da África, Índia e América Central mostram que a resistência aos inseticidas já está completa (World Malaria Report, 2018). Mas à luz de novos estudos vemos resultados eficazes como com a utilização de mosquitos geneticamente modificados capazes de afetar a reprodução do Plasmodium durante sua fase do ciclo no hospedeiro invertebrado; ou a liberação de linhagens de mosquitos machos que serão incapazes de fertilizar fêmeas da espécie; também o desenvolvimento de linhagens de mosquitos imunes ao parasito; e até mesmo àqueles nos quais existe a possibilidade de induzir a geração de descendentes, na sua grande maioria, machos, provocando uma queda significativa no número de fêmeas que poderão transmitir a doença.

Além disso, existem no mercado diversos medicamentos utilizados no controle da infecção diretamente. Para citar os mais conhecidos temos a Cloroquina, Primaquina e Mefloquina, utilizados como tratamento e profilaxia, e a Clindamicina, utilizado apenas para tratamento. 
Em 2018 o FDA, órgão de regulamentação de novos medicamentos nos Estados Unidos, aprovou a Tafenoquina, um medicamento capaz de evitar as recaídas da infecção por conseguir eliminar o parasito latente no fígado de pacientes infectados com apenas uma dose.

Outra grande vitória da ciência para a prevenção da malária foi a notícia do início da distribuição em massa da primeira vacina contra a infecção. Em 23 de abril deste ano o Malawi foi o primeiro país a ser imunizado com a Mosquirix (GSK), seguido de países como Quênia e Gana. 

O calendário de vacinação irá promover a imunização de crianças entre cinco meses e dois anos de idade com quatro doses intervaladas. 

A vacina contendo a porção de uma proteína específica do Plasmodium falciparum, a CSP ou proteína do circunsporozoíto, após 30 anos de estudos e testes clínicos, apresentando 40% de proteção é um grande avanço. Pois ao observarmos as condições de vida e sobrevivência das pessoas que convivem com a doença, vemos que muitas não têm condições de buscar pelo tratamento, pois moram em locais distantes das cidades com postos de saúde e com transporte precário ou inexistente. O grande diferencial é que a vacina pode ser levada até os moradores de áreas remotas, pois não há necessidade de um diagnóstico, o que despenderia insumos mais elaborados e maior tempo de avaliação dos pacientes.

Talvez hoje após anos de muita pesquisa pelos melhores antígenos e formulações vacinais ainda estejamos 'engatinhando' no controle dessa doença que desafia conceitos gerais de imunologia e proteção contra a reinfecção. Por alguma razão que ainda é uma incógnita para os melhores cientistas a imunidade gerada durante a infecção por esse parasito não se perpetua como ocorre com outras infecções, deixando a pessoa suscetível a novos episódios. Todos os meses novos estudos são publicados e nos colocam mais próximo das respostas que precisamos para melhorar, não somente os tratamentos atuais contra essa doença, mas a qualidade de vida dos pacientes que sofrem diariamente com essa infecção.

Referências:
1.    World Malaria Report, 2018
https://www.who.int/malaria/publications/world-malaria-report-2018/en/

Como uma empresa genuinamente brasileira, a Alesco se orgulha de sempre estar presente em Congressos; Simpósios; Workshops e Encontros Científicos, 
contribuindo, desta forma, para que a comunidade científica do Brasil possa apresentar os resultados de seus trabalhos e assim fortalecer a Pesquisa Nacional. 
Nossa expectativa é que, como parceiros e apoiadores, estaremos participando ativamente de uma mudança fundamental em nosso país onde o fortalecimento 
de nosso parque científico e tecnológico trará reflexos para a qualidade de vida das populações. 

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